2026.03.28.
2006.06.30.
Praia de Salamansa e Ponta João d'Évora, Ilha de São Vicente, Cabo Verde.
2026.03.28.
Cesária Évora - Areia de Salamansa:
https://youtu.be/gIZS89MfMcs?si=bRV1rXrZnvhaCbmz
Na areia di Salamansa mi ma bo sô ta andaMar brabo ta txorá nôs destino desigualDixa-m nina-be bos lagrimasSurri pa mi criolaNha coraçon ta ficá pa N ben ama-boMa si N ca morrê un dia N ta voltaPa N ben beja-boAssin perdida i disprezada pa povo di Mindel.
Poema de 1963 do escritor cabo-verdiano Ovídio Martins, dedicado a «Manuel Lopes poeta e romancista patrício», que escreveu em 1959 o romance «Os Flagelados do Vento Leste», sobre as secas, as fomes e a resistência dos cabo-verdianos às adversidades. A foto de fundo, com duas cabras, é em Salamasa, Ilha de São Vicente, 2006.06.30.
Nós somos os flagelados do Vento-Leste!
A nosso favor
não houve campanhas de solidariedade
não se abriram os lares para nos abrigar
e não houve braços estendidos fraternamente para nós
Somos os flagelados do Vento-Leste!
O mar transmitiu-nos a sua perseverança
Aprendemos com o vento o bailar na desgraça
As cabras ensinaram-nos a comer pedras para não perecermos
Somos os flagelados do Vento-Leste!
Morremos e ressuscitamos todos os anos
para desespero dos que nos impedem a caminhada
Teimosamente continuamos de pé
num desafio aos deuses e aos homens
E as estiagens já não nos metem medo
porque descobrimos a origem das coisas
(quando pudermos!…)
Somos os flagelados do Vento-Leste!
Os homens esqueceram-se de nos chamar irmãos
E as vozes solidárias que temos sempre escutado
São apenas
as vozes do mar
que nos salgou o sangue
as vozes do vento
que nos entranhou o ritmo do equilíbrio
e as vozes das nossas montanhas
estranha e silenciosamente musicais
Nós somos os flagelados do Vento-Leste!
A segunda foto é de 2006.06.30, mas tem erradamente indicado 2026 na própria imagem.


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